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Tag Archives: amor

 

Irreparável

 

à Mónica e ao Alexandre

 

 

porque não escrevi versos

quando meus filhos dormiam

no mesmo quarto

sonos que não se repetem?

olhava-os nas viagens

que suas mentes faziam

em sonhos separados

mas unidos pelo meu olhar.

mais valiosa,

porque não me preocupava com as suas respirações,

não tinha nada de prática a minha vigília

era pura e lúdica

só os olhava

e com tal amor

que me esqueci de escrever estes versos

em devido tempo

embora irreparável

– do que passou

não há registos –

faço fora de prazo esta declaração

de uma saudade grande

de um amor maior.

 

carlos peres feio, em podiamsermais

 

»»»*** Nota sobre a formatação: “Irreparável”, página 67 de podiamsermais, está, como todos os outros poemas do livro, alinhado à esquerda. 
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George Sand

 

(desenho retirado do caderno de Musset)

 

 
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  O Sentimento que nos uniu compõe-se de tantas coisas que não se pode comparar a nenhum outro. O Mundo jamais poderá compreender.

 

George Sand em Cartas de Amor, Alfred de Musset e George Sand. Tradução de Margarida Vale do Gato. Relógio D’Água

 

 

 

 

21 de Setembro

 

    Parece-me que estou aqui há meses. Espero com impaciência as tuas cartas…

   …Não, não me engano sobre o nosso amor. Aflige-me o desejo que é somente desejo. O amor embeleza, o desejo decompõe, se não passa pelo coração, se todo o ser não está impregnado dele. Não escondo a mim mesmo que o desejo é suficientemente forte para se confundir com o amor. Mas também não se deve renegar o amor por medo do desejo…

 

André Bay,  “Correspondência”, em As Amorosas. Tradução de Maria Judite de Carvalho. Início.

 

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A tradição popular não se enganou ao ver sempre no amor uma forma de iniciação, um dos pontos em que o secreto e o sagrado se encontram.

 

Marguerite Yourcenar, em Memórias de Adriano. Tradução de Maria Lamas. Ulisseia

 

No ar que respirávamos havia um sentimento parecido com o amor. Como se bruscamente o mar estivesse perto, havia um assombro e uma exaltação no sangue. Tudo, naqueles anos, era diferente, até o sabor do sonho (talvez eu nunca tenha sido inteiramente feliz, mas sabe-se que a desventura requer paraísos perdidos). Não há homem que não aspire à plenitude, quer dizer, à soma de experiências de que um homem é capaz; não há homem que não tema ser lesado nalguma parte desse património infinito. Mas a minha geração teve tudo, porque primeiro lhe foi proporcionada a glória e depois a derrota.

Jorge Luís Borges, em O Aleph, tradução de Flávio José Cardoso, Planeta-DeAgostini

 

 

 

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Sim, uma metade, a mais bela metade da vida, está escondida ao homem que não amou com paixão.

Stendhal, do Amor, Editorial Presença

 

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Não é mais fino amante o que maior amor tiver no coração, é-o realmente quem souber luzir o mais efémero encanto com a luz imortal das belas palavras.

Luís Filipe de Castro Mendes, em Correspondência Secreta