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Monthly Archives: Janeiro 2009

 

 

Os sentimentos permitem-nos entrever o organismo em plena agitação biológica, vislumbrar alguns mecanismos da própria vida no desempenho das suas tarefas. Se não fora a possibilidade de sentir os estados do corpo, que estão inerentemente destinados a serem dolorosos ou aprazíveis, não haveria sofrimento ou felicidade, desejo ou misericórdia, tragédia ou glória na condição humana.

António R. Damásio, na Introdução a O Erro de Descartes Emoção, Razão e Cérebro Humano, Publicações Europa-América

 

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Dez vezes deves reconciliar-te contigo mesmo; pois vencermo-nos é amargo, e o que não vence o seu rancor dorme mal.

Frederico Nietzsche, em Assim Falava Zaratustra, Tradução de Alfredo Margarido, Guimarães Editores

 

 

 

tu

 

No ar que respirávamos havia um sentimento parecido com o amor. Como se bruscamente o mar estivesse perto, havia um assombro e uma exaltação no sangue. Tudo, naqueles anos, era diferente, até o sabor do sonho (talvez eu nunca tenha sido inteiramente feliz, mas sabe-se que a desventura requer paraísos perdidos). Não há homem que não aspire à plenitude, quer dizer, à soma de experiências de que um homem é capaz; não há homem que não tema ser lesado nalguma parte desse património infinito. Mas a minha geração teve tudo, porque primeiro lhe foi proporcionada a glória e depois a derrota.

Jorge Luís Borges, em O Aleph, tradução de Flávio José Cardoso, Planeta-DeAgostini

 

 

 

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Sim, uma metade, a mais bela metade da vida, está escondida ao homem que não amou com paixão.

Stendhal, do Amor, Editorial Presença

 

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Num tempo degradado como o nosso, todas as fontes estão ocultas. A tarefa do poeta é desocultá-las. Tudo o que nos saia das mãos sem esse sabor original são só palavras a mascarar a palavra, miséria que nos impede até de ouvir a magnífica e alta música do silêncio.

Eugénio de Andrade, em Rosto precário, Poesia e Prosa (1940-1980), Porto

 

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