.

RAZÃO

 

 

sim

deverás ter razão

e a memória

me embale

fabricando

teus dias de disponibilidades

para longas caminhadas

corridas e folguedos

teu tempo para teres tempo

e, sem cansaços, sonolências,

olharmos

comentarmos apreciarmos

saborearmos

imagens das

viagens ao mundo

que me ias então

alargando


sim

deverás ter razão

e a memória

me embale

fabricando

ilusórios

tempos do bom de ontem

quando nas

conversas dialogantes

sem horas

sem pressas

sem évoras

havia o calor da ternura

que se derramava em

abraços de

silêncios

e cumplicidades

que talvez

jamais

tenham existido


(sim

deverás ter

sempre

razão

e na labiríntica

teia

dos teus irrelevantes

as memórias

da minha memória

não serem mais

do que

a irrelevância maior

 

meu querido) 

 


 

 

 AFC

 

 .

Um Comentário

    • cafapafa
    • Posted Julho 14, 2008 at 11:04 am
    • Permalink

    a razão terá sempre razão?


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