.
RAZÃO
sim
deverás ter razão
e a memória
me embale
fabricando
teus dias de disponibilidades
para longas caminhadas
corridas e folguedos
teu tempo para teres tempo
e, sem cansaços, sonolências,
olharmos
comentarmos apreciarmos
saborearmos
imagens das
viagens ao mundo
que me ias então
alargando
sim
deverás ter razão
e a memória
me embale
fabricando
ilusórios
tempos do bom de ontem
quando nas
conversas dialogantes
sem horas
sem pressas
sem évoras
havia o calor da ternura
que se derramava em
abraços de
silêncios
e cumplicidades
que talvez
jamais
tenham existido
(sim
deverás ter
sempre
razão
e na labiríntica
teia
dos teus irrelevantes
as memórias
da minha memória
não serem mais
do que
a irrelevância maior
meu querido)
AFC
.

Um Comentário
a razão terá sempre razão?