Sim, gosto da escrita, mas como esta palavra adquiriu um sentido metafórico (é uma forma de enunciar, próxima do estilo), tomarei a liberdade [...] de arriscar uma palavra nova: gosto da scriptação, da acção pelaqual traçamos manualmente signos. Não só conservo tanto quanto me é possível o prazer de escrever os meus textos à mão, recorrendo apenas àmáquina numa fase final de cópia e de crítica, mas também e sobretudo gosto dos vestígios da actividade gráfica, onde quer que se encontrem: na caligrafia oriental e numa certa pintura, que, portanto, seria melhor chamar «semiografia» [...]
Roland Barthes, em O Grão da Voz, Edições 70